Minha experiência com o filme foi bastante diversa, sendo sincera. Conversando previamente com outras pessoas sobre a obra, obtive opiniões bem divergentes sobre a artista e seus trabalhos, com frequentes questionamentos dos limites do que se pode ser considerado arte. Talvez isso tenha contribuído para o surgimento de uma pré-concepção em mim antes mesmo de assistir o filme. De qualquer maneira, as proposta iniciais das obras já são instigantes o suficiente para gerar curiosidade, mesmo que ela seja inicialmente negativa.
Quanto às, de fato, minhas impressões, o primeiro aspecto que gostaria de mencionar é, tal como dito no parágrafo anterior, o limite do conceito de arte. O filme é uma obra interessante no que tange esse aspecto pois, ao abordar as produções de Marina, dá luz a representações inovadoras no contexto da arte moderna, que de fato desafiam os limites corporais da artista e das pessoas participantes, bem como esperam causar sensações nos observadores. Nesse contexto, acredito que apenas pelo fato de as obras da artista causarem uma reação emocional (seja ela de choro, espanto, imersão ou mesmo a revolta) em quem as observa, já é algo válido e verdadeiro, independente das linhas traçadas em torno do conceito de arte.
Ademais, outro ponto interessante mostrado no filme é a escolha da obra A Artista Está Presente como o clímax da narrativa. A respeito da performance em questão, me chamou a atenção não somente a dedicação admirável e integral da artista com o seu trabalho, mas também as reações das pessoas ao sentar-se em sua presença. As respostas de cada um dos indivíduos que participaram eram únicas e produziam ao tempo todo uma obra diferente e única. Contudo, observando a quantidade absurda de pessoas em fila esperando a chance de ser parte da obra de arte (como ironizado pelo jogo em estilo 8-bit de Pippin Barr, como na imagem em anexo) me faz questionar os limites da influência do ícone que Marina se tornou, e em como isso contribui para a experiência da performance. Me pergunto, por exemplo, o quanto que o conceito da grande artista e inovadora amplifica as sensações dos participantes, levantando hipóteses de que, se a pessoa sentada na sala com o vestido vermelho não fosse Marina -além da óbvia ausência da artista-, não seriam observadas as mesmas reações nas pessoas;
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